quarta-feira, 24 de julho de 2019

Guia de Óleos Essenciais na Aromaterapia

O que é Aromaterapia

A Aromaterapia, que já foi apresentada em profundidade neste texto aqui, é chamada terapia do olfato: um tratamento natural que se utiliza das propriedades terapêuticas e curativas contidas nas moléculas químicas dos óleos essenciais, extraídos das plantas aromáticas.
É uma forma integrativa e complementar, assim sendo, holística, de tratamento para o corpo e para a mente, que proporciona bem estar geral ao indivíduo, além de tratar e curar doenças. É, também, aplicada largamente na cosmetologia, por sua eficácia e facilidade de utilização.
A Aromaterapia tem sido difundida, procurada e aceita por grande parte da população, que tem interesse em um tratamento sem efeitos colaterais ou reações adversas. Em países do Primeiro Mundo, a Aromaterapia é usada há mais de 80 anos, com êxito em hospitais, ambientes de trabalho, com propósitos terapêuticos etc.
A Aromaterapia atua de forma a reequilibrar as energias das pessoas, afetando positivamente, o corpo físico, emocional e mental.
Hoje em dia, devido a sua diversidade de utilização, é dividida em três áreas:
  • Aromaterapia Fisiológica: onde os óleos essenciais tratam os estados fisiológicos como, distúrbios respiratórios, distúrbios gastro-intestinais, desnutrição, letargia, fraqueza, debilidade etc, através de vários métodos que serão mais adiante explicados (inalação, vaporização, massagem, banhos etc);
  • Aromaterapia Psicológica: chamada de psicoaromaterapia, atua para harmonizar e equilibrar as emoções e a alma dos indivíduos;
  • Aromaterapia Energética: o trabalho acontece por meio da frequência vibracional sutil dos óleos essenciais. Tudo o que existe no Universo, incluindo os seres vivos e a natureza é energia. Assim, captamos e emitimos energia em forma de vibração (onda). Essas vibrações formam o campo eletromagnético. E os óleos essenciais agem nesse campo.

O que são Óleos Essenciais

Os óleos essenciais são substâncias orgânicas muito aromáticas e voláteis (quando expostos ao ar, na temperatura ambiente, eles evaporam), que são extraídas de diferentes partes de uma planta(caule, troncos, cascas, sementes, raízes, galhos, folhas, flores etc).
Apresentam consistência geralmente aquosa e límpida, sendo que alguns são muito viscosos e outros podem se solidificar em baixas temperaturas. São obtidos através da hidrodestilação ou da destilação a vapor, ou processamento mecânico de cascas de cítricos ou destilação a seco de plantas aromáticas. Não são gordurosos e são substâncias solúveis em álcool, éter e outros compostos graxos insolúveis em água.
Observou-se que os óleos essenciais têm o poder de purificar o ar, propiciando relaxamento, bem estar, e estimulando ou aliviando nossas emoções. Ao mesmo tempo, em que promovem nas pessoas momentos de reflexão e expansão dos potenciais pessoais, de trabalho e intelectual.
E as suas propriedades terapêuticas são definidas de acordo com as partes das plantas, sendo que podem estimulantes, relaxantes ou equilibrantes. Os óleos essenciais altamente voláteis estimulam a mente; os de baixa volatilidade são mais calmantes e os de média volatilidade favorecem os efeitos balanceadores no organismo.

Alguns exemplos de óleos essenciais e as partes das plantas em que são encontrados:

  • Folha: eucalipto, hortelã, manjericão, tea tree;
  • Fruta: laranja, limão, tangerina, bergamota;
  • Semente: cardamomo, junípero;
  • Tronco: madeira do sião, pau rosa, canela, sândalo;
  • Flor: jasmim, lavanda, rosa, gerânio, camomila, ylang ylang;
  • Raiz: vetiver;
  • Rizoma: gengibre, lírio do brejo;
  • Resina do tronco: mirra, breu, copaíba, olíbano.
Quando não aplicados 100% puros, podem ser diluídos em óleos vegetais (como o de semente de uva, de amêndoas doces, de côco, de girassol etc), ou mesmo em cremes ou géis de base neutra. Desse modo, estende-se a utilização dos óleos essenciais para uso em banhos, massagens e loções corporais, além da inalação, a forma mais usada, e de outras aplicações que serão vistas adiante.
Os óleos essenciais, com frequência, possuem de 50 a 450 substâncias químicas, numa harmoniosa sincronicidade. Já as essências sintéticas possuem apenas de 1 a 3 substâncias.
Os óleos essenciais apresentam, também, uma função ecológica em relação a espécie da qual é produzido, já que atuam como inibidores de germinação de outras espécies vegetais que venham competir pelo solo, luz e água, na proteção contra possíveis predadores, na proteção contra a perda de água etc.
Brasil é o maior produtor mundial dos óleos cítricos e de pau rosa, apesar de produzir um pequeno número de óleos essenciais no geral. São alguns dos óleos produzidos no país: eucalipto, cravo-da-índia, palma rosa, citronela, citriodora, hortelã pimenta, pau rosa, os cítricos (lima, limão siciliano, limão thaiti, laranja, bergamota), capim cidreira, cabreúva, copaíba (óleo resina). Também é produtor de óleos carreadores como castanha-do-Pará, andiroba, girassol etc.

Como Usar Óleos Essenciais

Além da inalação, que é a utilização mais comum dos óleos essenciais na Aromaterapia, existem diversas formas de uso de óleos essenciais e tirar proveito de seus benefícios. E essa escolha vai depender da necessidade do indivíduo e do objetivo do tratamento terapêutico.
Um único óleo essencial possui, em média, cerca de 300 substâncias diferentes e pode favorecer o tratamento de distúrbios físicos e emocionais ao mesmo tempo.
As principais formas de usar a Aromaterapia são:

1. Uso Tópico

Trata-se da aplicação direta do óleo essencial no local a ser tratado, como pele, cabelo, ouvido, unhas, dentes, boca, genitálias. O óleo essencial pode ser usado puro no local dependendo do que está sendo tratado. É importante verificar se o óleo essencial não vai irritar a pele (como os dermocáusticos: orégano, canela e tomilho). E por serem muito concentrados e poderosos, o uso contínuo não diluído, diretamente na pele, pode provocar sensibilização à pele. É recomendado, assim, que sejam diluídos em bases carreadoras, como os óleos vegetais de côco, amêndoas doces, girassol, avelã, jojoba, rosa mosqueta. Outro ponto a ser considerado quando for usar o óleo essencial diretamente no local, é tomar cuidado com os que podem manchar e queimar a pele quando expostos ao sol (fototoxidade), como o de laranja, limão, bergamota, tangerina e arruda. Há empresas que já produzem esses óleos sem que causem danos se expostos ao sol.
A aplicação tópica pode ser:

a. Aplicação Direta

O óleo essencial é aplicado diretamente no local afetado ou desejado. Os pés, atrás das orelhas e os pulsos são áreas de boa absorção dos óleos essenciais. Pode-se utilizar os óleos essenciais nos tratamentos de reflexologia, em massagens, em picadas de insetos, acnes, furúnculos e abscessos etc.
Quando utilizar em bebês e crianças, preferencialmente, deve-se diluir em óleos carreadores.
Massagem terapêutica: é uma eficaz maneira de estimular os músculos, a pele e os tecidos conjuntivos. Trata-se de uma técnica que propicia o relaxamento, a energização e o equilíbrio do indivíduo como um todo. Indica-se a diluição dos óleos essenciais em um óleo vegetal de boa qualidade (como o óleo de côco, de linhaça, de abacate etc), a fim de obter todos os benefícios possíveis. A diluição recomendada é de 1 a 5%, podendo chegar a 10% nos graves mais graves de inflamações articulares e de fibromialgia. Geralmente, 1 ml de óleo essencial corresponde a 22 gotas. A mistura de óleos essenciais, neste caso, não pode ultrapassar quatro diferentes tipos.

b. Cosméticos

Os óleos essenciais são extremamente eficazes para tratar uma gama considerável de desequilíbrios em relação à pele. Por isso, os cosméticos que contêm em sua formulação algum óleo essencial, é chamado de cosmético inteligente, que cuida do sintoma e da raiz do problema. Por não serem oleosos, os óleos essenciais podem ser aplicados em todos os tipos de pele (seca, oleosa, mista, sensível, acneica ou com alguma doença de pele). No uso cosmético, os óleos essenciais precisam ser diluídos em óleo vegetal extra-virgem, hidrolatos, cremes, argilas ou géis (estes sem óleo mineral). São excelentes para este benefício os óleos vegetais de jojoba e de rosa mosqueta. Algumas indicações de uso dos cosméticos chamados inteligentes: verrugas, acne, estrias, marcas de expressão, dermatite, psoríase, celulite, rugas, mancha na pele etc.

c. Compressas

O método é usado quando não é possível tratar através da massagem ou dos banhos de imersão. Muito recomendado para o tratamento de enfermidades em pessoas de idade avançada, onde às vezes há a dificuldade em tratar com outros métodos. Algumas indicações: cólicas menstruais, articulações inflamadas, furúnculos, hérnia de disco entre outras. Coloca-se algumas gotas (de 10 a 15) do óleo essencial escolhido em uma bacia com água (fria ou quente). Molha-se uma toalha no líquido obtido, escorre-se o excesso e aplica-se no local escolhido. Se a compressa for quente, esperar até que perca calor e repetir várias vezes. Pode-se fazer esse mesmo procedimento com a compressa fria, indicada para queimaduras, hematomas, inflamações e problemas articulares.

d. Banhos aromáticos

Ao utilizar banheira, adicionar algumas gotas de óleo essencial na água represada. O óleo essencial não se dissolve completamente, isso facilita a absorção pela pele. Há, também, a possibilidade de se usar sais de banho (dissolvidos) juntamente com o óleo essencial selecionado. Caso não tenha banheira, pode fazer a mistura numa bacia e despejar durante o banho, sendo que óleo essencial será rapidamente absorvido. Também, pode ser feita uma esfoliação com óleos essenciais, utilizando uma bucha vegetal. Ainda, há o modo spray corporal, onde pode-se colocar de 10 a 15 gotas de óleo essencial em um recipiente com 100 ml de água destilada, misturar bem e borrifar no corpo após o banho.

2. Inalação

Trata-se do processo de absorção dos óleos essenciais por meio da difusão atmosférica. Este processo é o mais usado e conhecido dentro da Aromaterapia, sendo poderoso por afetar a memória, os hormônios e as emoções através do sistema olfativo. Eficaz no tratamento de distúrbios como bronquite, asma, pneumonia, rinite, sinusite, laringite dentre outros.

a. Difusão

É a forma mais simples, adequada e objetiva para propagar um óleo essencial no ambiente, com o auxílio de um difusor de aromas. Os difusores conseguem purificar e melhorar a qualidade do ar dos ambientes, podendo acabar com bactérias, fungos, vírus e ácaros, levando em conta propriedades antissépticas de alguns óleos essenciais. Os difusores a calor precisam ter sua temperatura controlada, em no máximo 50 a 60 graus, para não alterar a composição química dos óleos essenciais. É recomendado um período de descanso olfativo, após a utilização de algum óleo essencial, antes de reiniciar a aplicação.

b. Inalação direta

É uma maneira simples de usar os óleos essenciais e de obter uma ação rápida. Aqui a pessoa segura o frasco aberto do óleo essencial próximo ao nariz, ou pinga algumas gotas na palma da mão e coloca a cerca de 15 cm das narinas.

c. Tecido ou algodão

Neste modo, coloca-se de 1 a 3 gotas do óleo essencial selecionado em uma toalha, um tecido, fronha ou algodão, segurando perto do rosto para inalar.

d. Vapor quente

Coloca-se de 3 a 5 gotas de óleo essencial em uma panela ou refratário com água quente e direcionar o rosto em cima, onde o óleo essencial vai evaporar rapidamente e penetrar pelas narinas.

e. Ventilador/ar condicionado

Coloca-se de 1 a 10 gotas de óleo essencial em um pedaço de algodão ou tecido, que deverá ser preso próximo ao ventilador ou ar condicionado para que libere o aroma. Ideal para locais pequenos.

f. Perfumes, colônias ou desodorantes corporais

Uma excelente maneira de utilizar os óleos essenciais é como perfumes, uma vez que o gostoso aroma propicia uma ação positiva no corpo físico e emocional. O óleo essencial é aplicado diretamente na pele (1 a 3 gotas), no pescoço e nos pulsos.

3. Uso interno

Compreende o processo de ingestão ou internalização de um óleo essencial no corpo, com o cuidado que nem todo óleo essencial pode ser usado desta maneira. Apenas os óleos essenciais 100% puros, naturais e completos são indicados para o uso interno.

a. Sublingual

Coloca-se de 1 a 3 gotas do óleo essencial embaixo da língua, onde é rapidamente absorvido devido a grande vascularização das mucosas dessa região. Trata-se de uma das formas mais efetivas do uso dos óleos essenciais. Esta maneira de utilização proporciona um efeito terapêutico maior do que a ingestão direta do óleo essencial.

b. Uso da colher

Uma forma fácil e simples de ingerir os óleos essenciais, onde pinga-se de 1 a 3 gotas em uma colher com água, mel ou óleo vegetal, e toma-se após as refeições. Ficam de fora os óleos dermocáusticos (orégano, tomilho e canela).

c. Cápsulas

Pega-se uma cápsula vazia, coloca-se de 1 a 10 gotas do óleo essencial escolhido, fecha-se a cápsula e ingere-se com um pouco de água ou suco. Pode completar a cápsula com óleo vegetal extra-virgem antes de fechá-la.

d. Em bebidas

Aindicação é aromatizar sucos, água ou leite antes de bebê-los, selecionando o óleo essencial adequado (de 1 a 4 gotas). Agitar bem antes de ingerir.

e. Na culinária

Pode-se adicionar de 3 a 6 gotas de óleo essencial em 100 ml de azeite de oliva extra-virgem e usar nos diversos pratos, ou aromatizar molhos e cremes, por exemplo, com o óleo essencial de gengibre.

f. Inserção vaginal

Pode-se inserir os óleos essenciais, previamente diluídos, na vagina por meio de seringa e colocação posterior de um tampão, ou embebendo um absorvente higiênico com a mistura. Cuidado para que os óleos essenciais não irritem as mucosas locais. Muito eficaz para tratar infecções urinárias, candidíase, miomas e cistos.

g. Como supositórios

A absorção retal pode ser feita com uma seringa, onde o óleo essencial escolhido deve ser diluído em um óleo vegetal de qualidade ou outra sugestão, é por meio de cápsulas contendo a mistura e inseridas no reto.
Os óleos essenciais devem ser diluídos em veículos chamados óleos carreadores, utilizados em massagens terapêuticas, banhos e cosméticos. São facilmente encontrados em supermercados, farmácias e lojas afins. Alguns óleos carreadores: óleo de girassol, de amêndoas doces, de semente de uva, de côco, de jojoba, de cenoura, de soja. Podem ser usados sozinhos ou misturados, dependendo o tipo de pele e o grau de penetração e nutrição pretendida com o tratamento e aplicação.

Cuidados Ao Adquirir Óleos Essenciais

É preciso ter muita cautela e atenção ao comprar óleos essenciais para que sejam de qualidade. Atenção para não obter óleos essenciais adulterados.
Deve-se estar atento à diferença de óleos essenciais 100% puros e os sintéticos. Os óleos essenciais puros têm efeito terapêutico muito maior que os seus princípios ativos isolados. O ideal é sempre ler todas as informações contidas nos rótulos.
Sabe-se que muitas essências sintéticas não apresentam em sua composição substâncias semelhantes às dos óleos essenciais naturais, o que quer dizer, que não apresentam propriedades terapêuticas. Os óleos naturais apresentam custo superior aos sintéticos.
Os óleos essenciais são compostos fotossensíveis, por isso, devem ser conservados em frascos de cor âmbar (o mais comum) ou azul cobalto, e nunca em embalagens transparentes, para que não oxidem e percam suas propriedades terapêuticas.
As cores do óleos essenciais são variadas, mas com algumas poucas exceções, nunca são cores extravagantes. E todo o óleo essencial apresenta um cheiro característico, porém, caso tenham cheiro de álcool ou de óleo de cozinha, provavelmente, estão adulterados.
Os óleos essenciais não se dissolvem facilmente em água. Quando o óleo essencial estiver diluído, essa informação deve estar explícita no frasco, assim como, a concentração do mesmo no óleo carreador. A variação do custo de um óleo essencial vai depender, também, do teor de óleo que a espécie apresenta e de seu rendimento no processo de extração.
Constatou-se que os óleos naturais permanecem mais tempo na pele, quando são empregados como perfumes ou quando utilizados nas massagens. Já os sintéticos ficam na pele por bem menos tempo.
Nesse sentido, para ser utilizado na Aromaterapia, o óleo essencial deve ser sempre 100% natural, 100% puro e 100% completo.

Outros Cuidados Importantes Com Os Óleos Essenciais

Deve-se tomar alguns cuidados com a aquisição, acondicionamento e uso dos óleos essenciais:
  • Manter os óleos essenciais fora do alcance de crianças e animais;
  • Comprar os óleos essenciais de empresas idôneas e que tenham nos rótulos todas as especificações pertinentes ao uso do mesmo;
  • Evitar alguns óleos essenciais durante a gravidez e lactação, sob a orientação do profissional especializado;
  • Somente usar o óleo essencial internamente com a prescrição do profissional qualificado, não ingerí-lo uma vez que pode irritar a mucosa estomacal;
  • Não utilizar os óleos essenciais puros diretamente na pele, somente sob a indicação profissional e com a diluição adequada.
  • Não esfregar ou colocar as mãos nos olhos após usar os óleos essenciais, sempre lavar bem as mãos;
  • Evitar a exposição ao sol quando usar no tratamento algum óleo essencial cítrico, que pode ocasionar manchas e queimaduras;
  • Pessoas com epilepsia devem seguir um rigor ao fazer uso de óleos essenciais, sempre observar as advertências a respeito dos óleos;
  • Pessoas com problemas renais devem evitar o uso dos óleos essenciais de erva-doce e de zimbro.
  • Há restrição de uso de alguns óleos juntamente com medicamentos homeopáticos, principalmente, os que contém cânfora ou mentol em sua composição;
  • A pessoa que tiver pressão alta deve evitar o uso dos óleos essenciais de alecrim, tomilho, sálvia e hissopo.
  • Os óleos essenciais que nunca devem ser usados sobre a pele são: arruda, boldo, cravo, jaborandi, losna, mostarda, sassafrás, segurelha e tuia;
  • Evitar o uso prolongado de um óleo essencial, sempre sob a prescrição de um profissional especializado;
  • Manter íntegro o rótulo do óleo essencial, para que não haja erro em sua aplicação etc.

O Olfato e O Sistema Límbico

O Sistema Límbico (do latim limbus) faz parte do cérebro e é responsável pela regulação dos sentimentos, das emoções, das memórias, do aprendizado e da energia física. É como se fosse uma central emocional e pode ser considerado como o Coração da Mente. Esse sistema atua, também, como centro despertador e controlador do desejo sexual e da fome.
O olfato é o único sentido humano que apresenta uma ligação direta com o cérebro, mais especificamente, com o Sistema Límbico. As moléculas aromáticas, que são voláteis, disseminam-se no ambiente pelo ar , são inaladas e, de forma rápida, absorvidas pela corrente sanguínea, por meio dos pulmões, interferindo em todo o sistema respiratório. São disparados neuroquímicos específicos, que na prática da Aromaterapia podem ter ação relaxante, estimulante, sedativa ou de entusiasmo e euforia.
Os aromas propiciam a evocação de memórias de uma forma instintiva e emocional, além do que, favorecem as positivas e bem sucedidas ações dos óleos essenciais nos tratamentos de distúrbios emocionais.

Como Usar Oleos Essenciais

Os Óleos Essenciais e Sua Ações Terapêuticas

Alecrim

Aessência é extraída de toda a planta. É revigorante e estimulante, excelente no combate a fadiga mental, distúrbios nervosos e estresse. Utilizado para aumentar o foco e a concentração. Ajuda quem sofre de pressão baixa, tonturas ou fraqueza, já que favorece a circulação. Previne queda de cabelos, combate a caspa e é indicado para cabelos ressecados.

Alfavaca

A essência é extraída de toda a planta. Apresenta uma fragrância suave, agradável e fresca. Tem propriedades antisséptica, antidepressiva, expectorante e digestiva. Utilizado em casos de insônia, dores de ouvido, bronquite, náuseas e picadas de insetos.

Angélica

Aessência é extraída das sementes. Possui propriedades sedativa, tônica, expectorante e antiinflamatória. Usado para dores-de-cabeça, cansaço mental, artrite, gota e menopausa.

Arruda

A essência é extraída da planta recém florida. Tem aroma forte e amargo. Apresenta propriedades antibacteriana, anti-fúngica, anti-reumática, digestiva, sedativa, anti-histérica, anti-epiléptica e inseticida. Indicado para infecções bacterianas e intoxicação alimentar; acalma convulsões, aflições e hiperatividade nervosa; reduz dores nas articulações; funciona como antídoto para venenos, drogas, picadas de cobras e de insetos.

Benjoim

A essência é extraída da resina. Apresenta o aroma quente, balsâmico, assemelhando-se a uma mistura de chocolate com baunilha. Contém propriedades diurética, sedativa, expectorante, antisséptica e antidepressiva. É empregado em casos de bronquite, tosse, resfriado, tensão nervosa, estresse e alguns ferimentos.

Bergamota

A essência é extraída da casca da fruta. Muito usado em perfumes é compatível com várias outras essências. É perfeito para óleos de banho que remetem ao frescor e relaxamento.

Boldo

A essência extraída das folhas da planta. Com aroma suave e característico. Tem propriedades antiinflamatória, anti-reumática, antisséptica, diurética, digestiva, hepática, vermífuga e inseticida. Indicado para o tratamento de inflamações relacionadas ao fígado, estômago, intestinos e estruturas afins. Estimula a circulação sanguínea e é eficaz para tratar reumatismo e artrite. Usado como antimicrobiano e, também, em feridas e ferimentos de pele. Por sua toxicidade, deve ser indicado por profissional qualificado.

Capejute

A essência é extraída das ramas e das folhas. Possui aroma intenso, refrescante e herbáceo. É conhecido por ser um analgésico natural. Extremamente eficaz em casos de dores de dente, queimaduras de sol, hematomas, cólicas menstruais, depressão, fadiga mental e tristeza.

Camomila

A essência é extraída das flores. Apresenta uma fragrância leve e relaxante, muito eficaz quando usado em conjunto com gerânio, rosa e lavanda, por ter potencializadas as suas indicações. Utilizado para casos de insônia e estresse.

Canela

A essência é extraída das cascas e das folhas. Possui um aroma forte, sendo que é excelente para o equilíbrio dos sistemas respiratório, digestivo e circulatório.

Cardamomo

A essência é extraída das sementes. Apresenta um aroma agradável, que traz alívio e ânimo. Usado em banhos aromáticos, onde estimula e refresca. Também indicado para amenizar dores-de-cabeça e fadiga mental, como antisséptico, tônico e afrodisíaco.

Cânfora

A essência é extraída da madeira. Possui um aroma penetrante. Indicado para tensão nervosa, insônia, quadros depressivos, problemas circulatórios (como varizes), fraqueza, resfriados úlcera, diarréia e distensões musculares.

Cedro

A essência é extraída da madeira. Tem um perfume amadeirado e propriedades expectorante, antisséptica e sedativa. Por isso, é muito empregado em desobstruções das vias respiratórias.

Cipreste

A essência é extraída dos espinhos. Apresenta propriedades antisséptica, sedativa, desodorante e adstringente. É muito empregado em problemas respiratórios.

Coentro

A essência é extraída das sementes. Indicado para tratar distúrbios digestivos, flatulência, cãibras estomacais, dores causadas por reumatismo e cansaço físico.

Cravo

A essência é extraída da folha e do botão. Possui um aroma com propriedades estimulantes, analgésicas e expectorantes. Muito usado para dores de dente e problemas estomacais.

Cravo-da-índia

A essência é extraída dos botões desidratados ao sol. empregado para combater dores de dente e musculares, verrugas, resfriados, reumatismo, diarréia, náuseas, bronquite, cansaço nas pernas e na recuperação de infecções.

Erva-doce

A essência é extraída das sementes. Possui um perfume que transmite força e coragem. Conhecida como a essência da longevidade.

Eucalipto

A essência é extraída das folhas. Apresenta propriedades estimulantes e afrodisíacas. É um poderoso expectorante, muito usado na prevenção e no tratamento de distúrbios das vias respiratórias (bronquite, asma, gripe, resfriado, sinusite, rinite, dor de garganta, congestão nasal). Fortalece o sistema imunológico. Muito bom como desinfetante de ambientes e purificador do ar ,e também, como repelente de insetos.

Gengibre

A essência é extraída da raiz. Apresenta um aroma marcante e estimulante. Contém propriedades expectorantes e ajuda a combater resfriados e gripes.

Gerânio

A essência é extraída de toda a planta. Possui um perfume fresco, excelente para relaxamento e reflexão, muito utilizado para estados de ansiedade. Também, é indicado para infecções vaginais e cistites.

Grapefruit

A essência é extraída da casca. É usado como tônico, digestivo, antisséptico, depurativo e antiinfeccioso.

Hissopo

A essência é extraída de toda a planta. Apresenta propriedades diurética, digestiva, expectorante, cicatrizante e de reguladora de pressão sanguínea. Indicado para casos de angina, asma, catarro, dispepsia e febre.

Hortelã

A essência é extraída de toda a planta. Possui um aroma agradável, forte e muito refrescante. Auxilia no alívio de dores de cabeça, gripes e resfriados.

Hortelã-pimenta

A essência é extraída de todas as partes exteriores da planta e colhidas antes de florescer. Apresenta um aroma canforoso e fresco como a menta. É excelente como antisséptico, antibiótico, depurativo, estimulante e descongestionante. Emprego em casos de congestão nasal, cansaço, tosse, dores musculares, dores de cabeça, náuseas, enjôos em viagens, intoxicação por bebidas, infecções na boca e na gengiva.

Ilang-ilang

A essência é extraída das flores. Possui um aroma adocicado, balsâmico e intenso. Apresenta propriedades afrodisíaca, sedativa, antisséptica, anti-seborreica e antidepressiva. Indicado para casos de depressão, ansiedade, irritabilidade, cansaço físico, estresse, cabelos enfraquecidos, para tratar a pele e com o tônico uterino.

Incenso

A essência é extraída da resina. Tem um aroma doce e picante, com efeito calmante, antidepressivo, adstringente, meditativo, cicatrizante, digestivo, sedativo e tônico. Muito utilizado em casos de bronquite catarro, tosse, laringite e nos cuidados com a pele.

Jaborandi

A essência é extraída das folhas da planta. Apresenta propriedades anti-reumática, antiartrítica e antiinflamatória. Especialmente, usado nos tratamentos de couro cabeludo (protege, dá força, brilho e maciez ao cabelo) e pele.

Jacinto

A essência é extraída das flores. Indicado para tratar tensão, depressão e crises emocionais. Por sua propriedade sedativa e calmante, é empregado em casos de sentimentos de tristeza, angústia e abandono.

Jasmim

A essência é extraída das flores. Apresenta um aroma agradável, exótico, doce e delicado. Possui propriedades afrodisíaca e antidepressiva. Indicado para combater a ansiedade e a depressão.

Laranja

A essência é extraída da casca da laranja. Tem um aroma extremamente agradável, suave e envolvente. Estimula o metabolismo celular e as funções digestivas. Colabora no tratamento de rins e bexiga. Muito usado para prisão de ventre, ansiedade, para tratar a pele e como um tônico geral para o corpo. Tem ação hipotérmica e combate a febre. Também, fortalece cabelos quebradiços.

Lavanda

A essência é extraída das flores. Apresenta um aroma inconfundível e extremamente versátil para fins terapêuticos. Excelente para tratar estresse, tensões nervosas, queda de cabelo, distúrbios estomacais, cólicas menstruais, insônia; combate a ansiedade e a depressão. Eficaz para amenizar dores musculares e hematomas. É antisséptico e age contra picadas de insetos. Auxilia nas queimaduras de sol ou por combustão, minimizando dores e cicatrizando a pele. Por sua ação hipoalergênica é muito usado no banho de bebês.

Limão

A essência é extraída da casca da fruta. O seu aroma é leve e fornece pureza ao ambiente. Apresenta propriedades antisséptica, adstringente, tônica e hipotensora. Muito bom para colesterol alto.

Losna

A essência é extraída da flor e da folha da planta. Possui propriedades vermífuga, digestiva e hepática-protetora. Usado de forma externa para tratamento de piolhos. Deve ser usado com moderação. Não exceder 25 a 20 dias quando o uso for interno.

Louro

A essência é extraída das folhas. Indicado para resfriados, gripes, infecções dentárias, problemas de pele, reumatismo e dores musculares.

Manjericão

A essência é extraída de toda a planta. É indicado para questões emocionais, como tristeza e melancolia. Também, é aliado no tratamento de resfriados, bronquites e para aliviar fadiga mental e tensão nervosa.

Manjerona

A essência é extraída de folhas frescas e secas. Possui uma fragrância quente e picante, que muitas vezes é confundida com os óleos de orégano e tomilho. Apresenta propriedades analgésica, vasodilatadora e antiafrodisíaca. É aplicado para dor de garganta, tensão, distúrbios e cólicas menstruais e fraqueza geral.

Melissa

A essência é extraída das extremidades floridas, como folhas e caule. Tem um aroma cítrico, fresco e leve.Possui propriedades antisséptica, antivirótica, calmante, antidepressiva e antibiótica. Muito utilizado para náuseas, cãibras estomacais, cólicas menstruais, cândida, herpes, como relaxante entre outros. E, por ter um rendimento bastante baixo, é um dos óleos essenciais mais caros.

Mirra

A essência é extraída da resina. Exala um aroma marcante no ar e dá um frescor à pele no banho. Conhecida como a essência da purificação e do rejuvenescimento.

Mostarda

A essência é extraída das sementes da planta. Possui odor característico. Contém propriedades antibacterianas e antifúngicas. Indicado para infecções bacterianas no intestino e no aparelho digestivo, como também, na pele. Ajuda a melhorar a saúde cardíaca, dos cabelos e da pele em geral. Auxilia nos tratamentos de gengivas.

Nérole

A essência é extraída das flores. Possui uma fragrância agradável, com propriedades antidepressiva, desodorante, afrodisíaca e digestiva. Usado para tensão nervosa, histeria, palpitações e diarreia crônica.

Orégano

A essência é extraída das flores secas. Muito empregado nos tratamentos de infecções respiratórias e pulmonares, gripes, resfriados e bronquites.

Palmarosa

A essência é extraída da grama. Com aroma floral, apresenta efeito estimulante. Apresenta a propriedade de regenerar as células. E por sua função hidratante, é indicado para peles ressecadas.

Patchuli

A essência é extraída de toda a planta. Possui aroma exótico e muito usado por perfumistas. É afrodisíaco e estimula o raciocínio. Também, recomendado para reduzir a oleosidade da pele.

Petitgrain

A essência é extraída das folhas. Com propriedades calmantes, é empregado para insônia, ansiedade, estresse, estados nervosos em geral, indigestão, dentre outros.

Pimenta-do-reino

A essência é extraída do fruto. Apresenta aroma picante, forte e quente. De todas as espécies existentes no mundo, somente dez são usadas como medicamento. Tem propriedades antitóxica, afrodisíaca, analgésica, digestiva, diurética e laxativa. Utilizado em casos de dor de dente, diarreia, indigestão, perda de apetite, catarro, angina e febre.

Pinheiro

A essência é extraída dos espinhos e das lascas de tronco. Possui um aroma amadeirado e refrescante. Com propriedades antisséptica e expectorante, é muito usado nos tratamentos de bronquite, gripes e resfriados.

Rosa

A essência é extraída das flores. Com um aroma ímpar, é considerada a rainha dos aromáticos. O seu perfume propicia a calma no ambiente. Quando utilizado no banho, traz o relaxamento e a sensação de bem estar.

Sálvia

A essência é extraída das flores. Possui um aroma bastante adocicado e relaxante. Indicado para depressão, asma, cólicas menstruais, dores musculares, tensão nervosa e enxaqueca.

Sândalo

A essência é extraída da madeira. Tem propriedades afrodisíaca, antiespasmódica, expectorante e calmante. Diminui a tensão nervosa e acalma o espírito. Indicado para dor de garganta, laringite, catarro e tosse.

Segurelha

A essência é extraída de toda a planta. Possui odor agradável e característico. Pertence à família do tomilho e do orégano. Considerado um óleo afrodisíaco, é muito utilizado para distúrbios sexuais e de fertilidade, para ambos os sexos. Possui propriedades anti-bactericida e antisséptica. Auxilia em problemas digestivos, intestinais, queimaduras, cortes e mordidas.

Sempre-viva

A essência é extraída dos buquês de flores. Funciona muito bem para problemas circulatórios, artrite, reumatismo, dores, machucados e tosse; é um excelente tônico.

Tangerina

A essência é extraída da casca da fruta. Possui um aroma cítrico e doce. Contém propriedades antiespasmódica, antisséptica, calmante e digestiva. É indicado para problemas digestivos, prisão de ventre, irritabilidade, convalescenças, celulite e problemas de pele.

Tea tree ou Melaleuca

A essência extraída das folhas e ramas. Apresenta um aroma forte e penetrante. Fortalece o sistema imunológico e é bom para quase todos os tipos de infecções. Excelente no combate aos problemas de pele, principalmente, os provocados por fungos (propriedade germicida). Eficaz no tratamento de micose de unha, aftas, dor de dente, dor de ouvido, candidíase, psoríase, frieiras, calos, furúnculos, herpes (labial, genital), brotoeja, gripes, resfriados, picadas de inseto, acne e mau hálito. Desodoriza os pés. Empregado em banhos íntimos masculinos e femininos.

Tília

A essência é extraída das flores. Muito utilizado para tensão nervosa, insônia, agitação, crise emocional, ansiedade, tristeza constante, angústia e histeria.

Tomilho

A essência é extraída de toda a planta. Um poderoso estimulante é muito usado em banhos revigorantes. Indicado para dor de garganta, dores musculares e infecções de pele.

Tuia

A essência é extraída das folhas da planta. Apresenta um aroma muito agradável de maçã. Possui propriedades antifúngica e diabética. Indicado para distúrbios respiratórios, tosse, bronquite etc; para candidíase, micose e herpes; para sintomas de menopausa e TPM; úlceras varicosas e gangrenosas; cansaço físico, mental e estresse.

Vetiver

A essência é extraída da raiz. Tem um aroma de ramos frescos queimados. Possui propriedades relaxante, calmante, sedativa, tônica, antiespasmódica, estimulante, imuno-estimulante e tônica. Usado para reumatismo, estresse, distúrbios menstruais, tensão nervosa e excessos na alimentação.

Zimbro

A essência é extraída do fruto. Apresenta um aroma frutal, fresco, de madeira. Possui propriedades diurética, antisséptica, antiparasítica e depurativa. Indicado para dor ciática, reumatismo, úlcera, obesidade, excessos na alimentação, febre do feno e acne.

Óleos Essenciais: Equilíbrio Corpo-Mente-Espírito

Independentemente de sua crença, atividade ou orientação espiritual, o fato é que não há como dissociar o uso de óleos essenciais das questões do espírito, segundo os grandes estudiosos de Aromaterapia.
A utilização dos óleos essenciais é realizada visando diversos objetivos e tratamentos. Favorecem a criação de uma atmosfera favorável ao uso da prática. Auxiliam nos momentos de oração, meditação, na própria terapêutica e na tomada consciente de suas ações.
O ideal é sempre observar a si mesmo, as suas atitudes, os seus pensamentos e as suas emoções, antes e depois do uso dos óleos essenciais.
Alguns óleos essenciais atuam no sistema nervoso propiciando a reprogramação do cérebro para a possibilidade da introdução de hábitos novos e saudáveis. Por exemplo, o óleo essencial de lavanda e o ylang-ylang apresentam propriedades calmantes, que auxiliam a encontrar e comunicar-se com o “eu interior”.
Desse modo, as terapias com aromas podem trazer uma vivência incrivelmente saudável e propiciar, ainda, um dos caminhos para o despertar da consciência de si mesmo.
Falaremos mais profundamente do assunto em um outro texto.
O que sabemos é uma gota. O que ignoramos é um oceano. (Isaac Newton)
Um homem não pode fazer o certo numa área da vida, enquanto está ocupado em fazer o errado em outra. A vida é um todo indivisível. (Mahatma Gandhi)

Aromaterapia: História, Benefícios e Tratamentos

O que é Aromaterapia

A palavra Aromaterapia vem dos termos gregos aroma (odor agradável) e therapeia (tratamento), assim, significando “tratamento através de odores agradáveis”.
A Aromaterapia é uma terapia integrativa e complementar, portanto, de natureza holística, que faz uso de óleos essenciais 100% puros, com o objetivo de equilibrar a saúde física, mental, emocional e espiritual do indivíduo.
Os óleos essenciais têm caráter terapêutico e são ricos em princípios naturais. Durante o contato com eles, ao serem inalados, imediatamente, uma mensagem é enviada ao sistema límbico, que é um grupo de estruturas cerebrais associado às emoções, à memória, aos sentimentos, aos reflexos e às reações instintivas. Com isso, nessa parte do sistema nervoso é ativado o metabolismo, fazendo emergir sentimentos e emoções positivas (que ficam gravados na memória) e regulando as funções orgânicas do corpo do indivíduo.
A Aromaterapia é, também, chamada de terapia do olfato, por ser um tratamento natural que aplica as propriedades curativas existentes nas moléculas químicas dos óleos essenciais, que produzem o perfume das plantas aromáticas.
O termo Aromaterapia é aplicado, por vezes, a um ramo da Fitoterapia. E é, essencialmente, uma prática multidisciplinar, uma vez que abarca diversas áreas, como farmacologia, psicologia e medicina, dentre outras.
Essa prática terapêutica considera os aspectos individuais de cada pessoa e pode ser associada a diversos tipos de tratamentos convencionais ou complementares. Possibilita ao indivíduo restaurar o equilíbrio e promove um grande bem estar.
A Aromaterapia é utilizada de forma corriqueira, na Europa, há mais de 80 anos.
É uma terapia complementar e holística com fundamentação científica, onde o assunto está presente em publicações de diversas revistas respeitadas mundialmente, assim como, em algumas plataformas de artigos científicos, como a PubMed. Existem milhares de artigos publicados após estudos concluídos com o termo “essential oil”. Isso porque, é através do uso dos óleos essenciais que se chega à cura de várias enfermidades, além de promover a saúde integral.
Ainda há muito o que se pesquisar, explorar e aprender nessa área, num panorama de infinitas possibilidades.

História da Aromaterapia e dos Óleos Essenciais

A utilização de plantas aromáticas para diversas finalidades, como para promover o bem estar, é muito antiga e data de milênios. Por meio de estudos arqueológicos foi possível identificar que os homens Neandertais já faziam uso de plantas aromáticas há pelo menos 200 mil anos, na alimentação, em infusões e decantações.
Há 40 mil anos, os aborígenes que habitavam o continente australiano, aprenderam a utilizar de forma extraordinária a flora local. Frequentemente, utilizavam as folhas de Melaleuca alternifolia, principalmente, como chá.
A região da Índia, e ao seu redor, tem registros de 7 mil anos atrás, onde as “águas aromáticas” eram utilizadas para a saúde (tratar o corpo e o espírito), nos sacrifícios sagrados e para fins estéticos. A medicina ayurvédica identificou e catalogou o uso de diversas plantas aromáticas.
Foram encontrados registros no Oriente, que evidenciaram a existência de destilarias primitivas há cerca de 5 mil anos, muito provavelmente, locais de produção de loções, e não óleos essenciais.
Os povos da antiguidade valorizavam o uso e os benefícios dos óleos de plantas aromáticas. Foram encontrados textos na antiga literatura védica indiana e textos da medicina chinesa, que documentavam a importância dos óleos aromáticos, tanto para a saúde, bem estar, como para a espiritualidade.
No entanto, é difícil precisar quando que o uso dessas plantas se disseminou e começou a fazer parte da vida dos seres humanos. Há registros do Antigo Egito de 3.500 anos a.C.
Nessa época, tanto no Egito como na Babilônia, as plantas aromáticas eram maceradas em óleos vegetais, depois filtradas e usadas ou comercializadas como “unguento” , de grande valia para todos. Os unguentos eram destinados a aplicações medicinais e estéticas (essência utilizada para perfumar o corpo). Ainda não sabiam como extrair o óleo essencial puro. Mas, médicos do mundo todo buscavam os mestres egípcios para aprenderem sobre o poder curador dos aromas. Os vinhos aromáticos eram usados como anestésicos.
Os estudos comprovaram que no Antigo Egito, os reis em suas adorações aos deuses utilizavam incenso e óleos aromáticos. Assim como, o povo em geral, apreciava muito o uso de compostos aromáticos, tanto nas cerimônias religiosas, e para embalsamar os mortos, como direcionado à cura, ao bem estar físico e espiritual e à estética.
Historia Aromaterapia no EgitoEstudos arqueológicos observaram que o faraó Tutankhamon foi embalsamado com um elemento cosmético, que continha óleo de Cedro do Atlas ou Cedrus atlantica. Hoje, acredita-se que o excelente estado de conservação do corpo do faraó é decorrência do uso do óleo de Cedro do Atlas, que apresenta propriedades antioxidantes e, portanto, rejuvenescedoras. Também, descobriu-se alguns objetos utilizados na época para decoração e oferendas, que continham óleos aromáticos.
Existia um grande comércio de plantas aromáticas em diversos lugares como Egito, Pérsia, Babilônia, Oriente Médio, Índia, China, Grécia e Roma. Os estudiosos conseguiram identificar a chamada Rota do Incenso, localizada em Omã, que é um sítio arqueológico reconhecido e protegido pela UNESCO.
Havia uma grande procura por plantas aromáticas na Antiguidade e algumas delas, como o Olíbano e a Mirra, eram tão valorizadas quanto o ouro. Os chineses também ficaram muito conhecidos por utilizarem as plantas aromáticas para tratar dos doentes e trazer bem estar.
Os Hebreus utilizavam os aromas, especialmente, em cerimônias religiosas, o que é facilmente entendido em trechos bíblicos. Porém, também, conheciam os benefícios medicinais das plantas aromáticas e untavam todo o corpo com misturas feitas com ervas, tanto para tratar as doenças, quanto para elevar suas almas.
Por muito tempo, não existiu a distinção entre médico, astrônomo, biólogo, psicólogo etc. Essas pessoas eram chamadas de sábios e polímatas (tinham conhecimentos em diversas áreas e assuntos). Conseguiam trazer um estado de saúde mais equilibrado, tanto para eles, quanto para a comunidade em geral.
É fato que os gregos aprenderam muito com os egípcios a respeito desse assunto, com a diferença de que atribuíam a eficácia das propriedades aromáticas das plantas aos poderes divinos.
Hipócrates, médico e filósofo, considerado por muitos o “pai da medicina”, utilizava fumigações aromáticas (aplicações de medicamentos em determinadas partes do corpo, por meio de vapores e fumaças), com o objetivo de tratar e erradicar a praga em Atenas. Também fazia uso, de banhos aromáticos e massagens com produtos extraídos de ervas, como alecrim, lavanda, hissopo e segurelha, em soldados feridos e enfraquecidos pelos combates.
Depois de três séculos, ainda na Grécia, Asculépio, grande amigo de Cícero, estudava e utilizava os produtos das plantas aromáticas, em massagens associando banhos, músicas e vinhos.
O botânico e filósofo Teofrasto escreveu “Historia Plantarum”, entre 350 a.C. e 287 a.C., em dez volumes, falando da estrutura das plantas, as diferentes variedades, seu crescimento, reprodução, as plantas selvagens e as domésticas, suas utilizações e benefícios etc. Também, descreve em seus livros, sobre a utilização medicinal das plantas, e sobre a extração dos sumos, colas e resinas das plantas. Em seu “Tratado de Odores”, Teofrasto salienta o interesse terapêutico dos aromas e observa os princípios fundamentais da ação dos óleos essenciais nos órgãos internos.
Somando-se o conhecimento egípcio e grego, houve o aprendizado dos romanos em suas explorações e conquistas territoriais. Dioscórides, autor greco-romano, considerado co-fundador da farmacognosia, através de sua obra “De matéria médica”, descreveu cerca de 600 plantas, sendo muitas delas aromáticas. Paralelamente, detalhou um método de destilação, mas ainda não sabia como extrair os óleos essenciais puros.
O primeiro documento escrito sobre a história da destilação foi feito no século IX, por Geber, nome latino do islâmico Abu Muça, grande alquimista, farmacêutico, físico, filósofo e astrônomo, que foi chamado de “o pai da química” pelos europeus. Geber foi responsável por introduzir a experimentação na alquimia, assim como, de vários instrumentos (como o alambique, que executa a destilação) e processos importantes usados na química moderna, por exemplo, a síntese dos ácidos nítrico e clorídrico, a cristalização e a destilação.
A prática da utilização das plantas aromáticas teve sua expansão no século XI, próximo ao ano de 1.000 d.C., com mérito dos árabes. Foi o médico, estudioso e filósofo persa, chamado Avicena, que se dedicou à escrita de vários assuntos em diversos livros, onde acabou por resgatar e difundir sobre o tema “destilação de plantas aromáticas”. Acabou servindo de base para a extração e obtenção de óleos essenciais puros.
No século XI, Avicena inventou um tubo de resfriamento espiralado, que favoreceu a destilação de óleos essenciais, em um processo mais refinado e eficiente, fazendo aumentar o número de interessados no assunto.
Avicena foi nomeado “Príncipe dos médicos” e publicou mais de cem obras médicas, como o conhecido “Cânone de Medicina”, que menciona diversos óleos essenciais.
Historicamente, o persa Avicena, também ficou conhecido como o primeiro homem a obter a destilação do óleo de Rosas (Rosa centifolia), conhecido por seu perfume apreciável. Havia, ainda, os subprodutos dos óleos essenciais, que eram as águas aromáticas e os hidrolatos, também muito utilizados. Essa fragrância tornou-se muito conhecida e popular e teve seu comércio expandido por toda a Europa durante a época das Cruzadas.
O povo persa era extremamente treinado e imerso em alquimia, medicina e terapias naturais.
No século XII, havia uma freira chamada Hildegard, que cultivou e destilou o óleo de lavanda na França, com a intenção de utilizar as suas propriedades medicinais.
No século seguinte, emergiu a indústria farmacêutica, o que propiciou a destilação de inúmeros óleos essenciais. Dessa forma, o estudo e aplicação das plantas aromáticas foi seguindo pelos séculos seguintes.
No século XIV, a peste negra matou milhões de pessoas. Na época, utilizavam preparados de ervas para tratar os doentes e acreditava-se que os perfumistas não contraíam a doença devido a sua constante exposição aos aromas naturais das ervas. A partir daí, médicos e enfermeiros passaram a utilizar a inalação de aromas e óleos essenciais para se protegerem da doença, usando roupas especiais para isso.
O médico, alquimista, ocultista e filósofo suíço-alemão, Paracelso, criou o termo “essência” e seus estudos mudaram, radicalmente, a natureza alquímica, sendo que deu enfoque à utilização de plantas como remédios. É considerado o reformador do medicamento e, também, fundador da Bioquímica e da Toxicologia.
Em 1563, Giovanni Battista Della Porta, jesuíta, filósofo, astrônomo e mago italiano renascentista, escreveu “Liber de distillatione”, especificando os óleos carreadores (óleos utilizados para veicular os óleos essenciais), óleos essenciais e os métodos de separar os óleos essenciais das águas aromáticas destiladas.
No século XVI, envolvidos nesses estudos estavam os alquimistas, que acreditavam no fato do óleo essencial ser a parte da planta responsável pela cura dos males e doenças.
Os óleos essenciais eram vendidos nos “boticários” nessa época, sendo que muitos outros começaram a ser comercializados. A partir desse momento, a perfumaria começou a ser entendida como uma forma de arte.
O médico e botânico herbolista inglês, Nicholas Culpeper, passou a maior da vida explorando, estudando e catalogando centenas de ervas medicinais. Seus livros “The English Physitian” (1652) e “Complete Herbal” (1653) contêm um vasto repertório de conhecimentos farmacêuticos e sobre as ervas medicinais da época. Ficou conhecido como o “pai do herbalismo moderno”, sendo que seu trabalho agregou importância à Fitoterapia e à Aromaterapia atuais.
Em 1887, Chamberland, químico e microbiologista francês, mostrou em seus trabalhos experimentais a capacidade dos óleos essenciais de neutralizarem os germes. Em 1888, Codéac e Meunier publicaram os resultados de suas pesquisas nesse mesmo tema, em “Anais do Institute Pasteur”, com diversas verificações in vitro, com resultados concordantes.
Ainda nesse século, os principais constituintes de óleos essenciais foram isolados.

Surgiram os Primeiros Perfumes

A origem da palavra perfume vem do latim per fumum, que significa “através da fumaça”. E era por meio da queima das plantas ou ervas aromáticas, que emergia a explosão do perfume.
No Antigo Egito, desde os reis e rainhas até as pessoas do povo, admiram imensamente os perfumes e seus aromas. Historicamente, fala-se que Cleópatra usou aromas para inebriar e conquistar os imperadores Marco Antônio de Tarso e Júlio César.
Historia Aromaterapia PerfumesNa Grécia, a admiração por aromas não era menor. O primeiro perfumista grego foi Megallus, que criou o perfume chamado de Megaleion. Tratava-se de uma mistura composta por mirra e canela, dentre outras plantas aromáticas, que além de perfumar o corpo tinha outros propósitos.
Voltando à parte histórica e à mitologia grega, as deusas do Olimpo usavam em todo o seu corpo os óleos essenciais puros para atrair os humanos, sendo que elas não poderiam se relacionar com eles, mas faziam isso para seduzí-los. A deusa do amor, Afrodite, ficou famosa por isso também e o termo “afrodisíaco” derivou dessa sua característica. Estão relacionados a ela os aromas de camélia, rosa e sândalo, que evocam afeto relacionado ao amor e à sensualidade.
Grandes apreciadores de aromas, os romanos guardavam seus perfumes em garrafas de vidro, alabastro ou ônix. Os mercados de rua ficavam cheios de perfumistas vendendo suas criações. As plantas aromáticas mais utilizadas eram: alecrim, canela, mirra, sálvia, melissa, cardamomo, nardo, açafrão, entre outras.
Estudiosos do assunto, entenderam que as casas de banho da época do Império Romano tinham suas águas esquentadas por imensas lareiras no subsolo da mesma. Assim, quando as plantas aromáticas eram colocadas na água, exalavam um cheiro agradabilíssimo, que propiciava o relaxamento e o bem estar dos usuários, além da limpeza da água, por conta das propriedades antissépticas das ervas. E a utilização das plantas aromáticas estendeu-se por muitos séculos, tanto para a saúde e bem estar, e cerimônias religiosas, como para o aprimoramento dos perfumes.
Sabe-se que por volta do ano de 1200, o rei Filipe Augusto II, da França, reconheceu a profissão de perfumista, possibilitando a abertura de locais destinados à comercialização das fragrâncias.
Assim, a indústria perfumista surgiu no século XIII, trazendo o crescimento da comercialização dos aromas, não só para fins cosméticos, mas para fins medicinais também. Na época em que a Peste Negra matou muitas pessoas, levantaram a questão de que os perfumistas estariam sendo poupados da doença por estarem em contato constante com as substâncias e os aromas das plantas e, por isso, o uso desses elementos foi adotado por médicos e enfermeiros.
No século XIX, consumou-se a próspera indústria da perfumaria. Os perfumes eram guardados em vidros extremamente belos e artísticos.
Em 1949, surgiu a “The Fragance Foundation”, criada por líderes da indústria de perfumes: Guerlain, Coty, Elizabeth Arden, Helena Rubinstein, Chanel e Parfums Weil (empresa francesa pertencente aos irmãos Jacques, Marcel e Alfres Weil). O objetivo era desenvolver programas educacionais a respeito da importância e dos prazeres das fragrâncias para o público americano.

Aromaterapia na Modernidade

Nos séculos seguintes, os aromas foram se popularizando, porém, na virada do século XX, emergiu a indústria química sintética trazendo uma nova geração de medicamentos, o que resultou na diminuição do interesse pelos produtos naturais.
O conhecimento anterior de separar os elementos que constituíam os óleos essenciais foi utilizado para criar químicos sintéticos e remédios. Acreditava-se que o uso isolado desses componentes seria mais econômico e eficaz. Essas experiências e descobertas foram responsáveis pelo surgimento da “medicina atual” e das fragrâncias sintéticas. Por outro lado, diminuiu drasticamente o uso de óleos essenciais como remédios.
No começo de 1904, o médico e botânico australiano, Cuthbert Hall, demonstrou o poder antisséptico do óleo de Eucalyptus globulus em sua forma natural, que era muito potente do que seu principal composto e princípio ativo isolado, o eucalipto.
Em 1910, o químico Otto Wallach ganhou o prêmio Nobel em Química por seu primoroso trabalho na análise e identificação dos componentes primários (terpenos) e dos compostos alicíclicos, dos óleos essenciais das plantas aromáticas. Esses estudos tiveram grande influência no desenvolvimento da indústria dos perfumes e dos óleos essenciais.
Até por volta de 1920, os óleos essenciais eram utilizados da mesma forma que na Idade Média, para loções, banhos e perfumes, basicamente.
Mas, a Aromaterapia ressurgiu alguns anos depois, por volta de 1930, através do químico francês René Maurice Gattefossé, cuja família era proprietária de uma indústria de perfumes. Alguns anos antes, quando estava trabalhando no laboratório dessa empresa, ele queimou, acidentalmente, parte de seus dois braços. Procurou rapidamente um médico que lhe aplicou antibióticos e enfaixou os locais da queimadura. Porém, o ferimento ficou pior, começou a gangrenar e corria o risco de amputação.
Gattefossé em seu desespero, teve a ideia de mergulhar os braços em um recipiente que continha óleo essencial de Lavanda Francesa (Lavandula angustifolia) e continuou a passar o óleo nos ferimentos. O que se fala é que em poucas horas houve uma melhora expressiva e evidente. As feridas cicatrizaram, não tinha bolhas e a infecção foi contida. Quando retornou ao médico, constataram que não precisaria mais da amputação.
Gattefossé ficou encantado com o poder cicatrizante da lavanda e passou a estudar mais a fundo as propriedades e os usos terapêuticos dos óleos essenciais. Chegou à conclusão que os óleos essenciais são mais eficazes que os seus princípios ativos.
O químico, então, começou a escrever artigos sobre a utilização dos óleos essenciais como recurso terapêutico e a publicá-los no jornal da empresa. Mais tarde, em 1928, reuniu esses textos em um livro que intitulou “Aromathérapie: Les Huiles Essentielles, hormones végétables” (“Aromaterapia: Os Óleos Essenciais, hormônios vegetais”). E foi a primeira vez que alguém fez uso do termo Aromaterapia.
Com essa publicação, atraiu a atenção de estudiosos, pesquisadores e profissionais da área da saúde, dentre eles o médico e cirurgião francês, Dr. Jean Valnet, que já fazia uso da prática da Fitoterapia (chamado por muitos na época de fito-aromática). Ele serviu na Frente Armada Francesa e utilizava os óleos essenciais para tratar e salvar vidas. Obteve resultados muito animadores, que o fizeram dedicar grande parte de sua vida à Aromaterapia. Após a Segunda Guerra Mundial, o médico retomou as pesquisas de Gattefossé, desenvolvendo, sistematizando e comercializando os produtos obtidos, especialmente, os óleos essenciais. Valnet descobriu, também, que muitos dos óleos essenciais têm maior ação e eficácia quando usados na totalidade de seus ingredientes ativos, que quando isolados ou sintetizados.
Em 1961, a bioquímica australiana Marguerite Maury publicou o livro “Le Capital Jeunesse”, que falava sobre a aplicação e os benefícios dos óleos essenciais, tanto para a saúde quanto para a estética. Ela mesma fazia uso dos óleos essenciais desde os anos 30. Marguerite inspirou-se em Renée Gattefossé quando iniciou seus estudos. Sempre acreditou e defendeu a ideia de que os óleos essenciais eram a mais pura forma de energia viva, capaz de promoverem saúde, bem estar, como também, exercerem estímulo para o cérebro e trazerem equilíbrio ao indivíduo. Ela fez a seguinte citação numa conferência em Milão: “… Mas, o maior benefício é o efeito da fragrância no estado psíquico e mental do indivíduo. O poder de percepção se torna maior, mais aguçado, há uma sensação de ‘enxergar’ com maior objetividade, por uma perspectiva mais verdadeira.”
Em 1964, na Inglaterra, Danièle Ryman traduziu o livro “Le Capital Jeunesse”, de Marguerite, o que colaborou para o crescimento do interesse no assunto nesse país.
Mais tarde, Valnet escreveu um livro sobre as propriedades e possibilidades terapêuticas dos óleos essenciais. Em 1971, criou a Associação de Estudos e Pesquisas em Aromaterapia e Fitoterapia, a primeira associação do gênero na França e, dois anos depois, mudou para Sociedade Francesa de Fitoterapia e Aromaterapia.
Nesse mesmo ano, foi criado pelo médico francês Maurice Girault o termo Aromatograma, a fim de caracterizar o antibiograma com óleos essenciais, referente às pesquisas dos óleos essenciais e suas propriedades antibióticas.
Valnet iniciou em 1976, a organização de Congressos de Fitoterapia e Aromaterapia, em várias cidades da França, além de expandir seus conhecimentos e descobertas aos meios de comunicação disponíveis.
O primeiro livro de Aromaterapia publicado em inglês foi “The Art of Aromatherapy”, em 1977, pelo aromaterapeuta inglês Robert B. Tisserand. No Reino Unido, a Aromaterapia foi introduzida através da estética e da cosmetologia.
Em 1980, abandonou esse órgão por discórdia em relação à atitudes de vários membros e, um ano depois, fundou o Colégio de Fito-Aromaterapia e Medicina de Campo, reunindo profissionais de diversas áreas como médicos, biólogos, farmacêuticos, veterinários, dentistas dentre outros, a fim de pesquisarem e estudarem sobre Aromaterapia e Fitoterapia.
Os estudos de Valnet estenderam-se além das observações clínicas, buscando entendimento sobre as propriedades antiinfecciosas e antibióticas dos óleos essenciais. Jean Valnet é, também, responsável por divulgar ao público em geral os termos Aromaterapia e Aromatografia.
Além desses nomes citados, outros pesquisadores franceses como o Dr Jean-Claude Lapraz e Christian Duraffourd comprovaram que os óleos essenciais são os antibióticos naturais mais eficazes contra infecções.
Conclui-se, assim, que o conhecimento dos componentes dos óleos essenciais possibilita o entendimento dos resultados aplicados nas atividades físicas, químicas, bioquímicas e eletrônicas dos aromas vegetais.

Explicação de Termos Utilizados na Aromaterapia

Aromaterapia

É uma técnica de tratamento do indivíduo, que nasceu na França no início do século XX, que utiliza os óleos essenciais com a intenção de equilibrar o corpo, a mente e o espírito. Dividiu-se em dois sistemas: a Aromaterapia francesa (ou Aromatologia), que trabalha com o emprego dos óleos essenciais de forma clínica e como fitoterápicos, além de fazer uso em massagens, inalações e fins estéticos. E, a Aromaterapia inglesa, que dedicou-se mais ao uso dos óleos essenciais para o bem estar, através de massagens, inalações e usos na estética e cosmetologia.

Aromatologia

Refere-se ao uso científico dos óleos essenciais. Este termo está vinculado ao Scientific Institute of Aromathology da França, apresentando os estudos científicos das propriedades e dos efeitos dos óleos essenciais, assim como, de suas ações quanto aos aspectos clínicos, psicológicos, gastronômicos, estéticos e energéticos.

Aromacologia

Termo criado e patenteado pela “The Fragrance Foundation” e pelo “Sense of Smell Institute”, em 1989, Nova York. Significa, à luz da ciência, a influência dos cheiros sobre as emoções e os sentimentos. O termo foi criado para descrever o conceito enunciado para o estudo das inter-relações entre a Psicologia e a Tecnologia de Fragrâncias.

Osmologia

Relaciona-se ao estudo dos odores, da percepção olfativa dos mesmos e das reações comportamentais e emocionais que eles incitam nos seres vivos.

Psicoaromaterapia

O termo está relacionado ao uso dos óleos essenciais, tendo em vista a ação psicológica dos mesmos. Neste aspecto, estuda-se somente os óleos essenciais 100% puros, diferentemente, da Aromacologia, que estuda todos os tipos de aromas, naturais e sintéticos, bons e desagradáveis.

Terapia Aromática Integrada

O termo foi criado pelo médico aromatologista francês Daniel Pënoel, para que fosse usado pelos praticantes da Aromatologia.

Teoria Quântica do Olfato

Ainda há muito o que compreender sobre o olfato, ou seja, sobre como sentimos os cheiros e por que sentimos o cheiro de uma ou outra forma. Os cientistas estudam, observam, levantam hipóteses e constroem teorias diversas. Atualmente, a teoria mais aceita é que o cheiro é levado por moléculas das substâncias que são transportadas pelo ar e, paralelamente, o odor específico de cada substância vai depender do formato da molécula. Ou seja, sentimos os cheiros a partir do momento que a molécula penetra em nossas narinas e encontra o receptor correspondente.
No entanto, há falhas nesses experimentos ainda a se investigar as causas.
O pesquisador grego Luca Turin, do Centro de Pesquisas Biomédicas Fleming, há algum tempo trabalha a fim de convencer outros cientistas de que o fenômeno do odor é quântico.
Turin publicou um artigo, em 1966, afirmando que não é o formato das moléculas, mas sim sua energia vibracional que faz com que sintamos os cheiros. Explicou que as vibrações moleculares desencadeiam o tunelamento quântico, que também é usado nos transistores que formam os processadores de computador e de todos os outros equipamentos eletrônicos. Para esclarecer de forma simples, o elétron adota o comportamento de onda, ao invés de partícula, e assim, consegue atravessar a barreira sólida transferindo uma carga elétrica.
No entanto, para sobrepor-se à teoria anterior já aceita, mesmo com falhas, Turin fez outro experimento, onde construiu moléculas orgânicas formadas por hidrogênio e carbono. Sintetizou dois tipos de moléculas: uma formada com átomos de hidrogênio e outra constituída de deutério (isótopo do hidrogênio). Ambas apresentavam energias vibracionais distintas, o que para a Teoria Quântica do odor do Dr. Turin, possibilitaria que as moléculas apresentassem cheiros diferentes, apesar de serem formadas pelos mesmos elementos químicos e, também, de terem o mesmo formato físico.
O experimento duplo-cego funcionou. Sendo que nele, nem os condutores do experimento, nem os voluntários sabiam qual era a molécula que estava sendo utilizada no teste. Como resultado mostrou que ambos os tipos de moléculas apresentam odores diferentes, o que não pode ser explicado pela teoria atual, mas que pode ser demonstrado e explicado pela Teoria Quântica do odor.
Contudo, derrubar uma teoria aceita há muito tempo por gerações de cientistas é extremamente difícil. Até porque existem diversos outros trabalhos baseados nesse antigo paradigma. E o que fazer com eles?
Conhecedor do meio científico, o físico Max Planck resumiu esse processo:
Uma verdade científica não se impõe por convencer os que a ela se opõem e por levá-los a verem com clareza, mas sim, antes, porque os opositores acabam morrendo e surge uma nova geração que aceita a verdade nova.

Indicação – Tratamentos de Aromaterapia

Tem servido como um importante apoio a tratamentos tradicionais de saúde e na cosmetologia, por sua eficácia e facilidade de utilização.
A aromaterapia, através dos óleos essenciais, pode ser administrada através de massagens, compressas, cremes, óleos corporais, banhos ou por meio de aromatizadores.
É indicada para os mais variados tipos de problemas, desde dores musculares, dores de cabeça, má digestão, processos alérgicos, à ansiedade, passando por indisposição, distúrbios de sono, falta de ânimo, entre outros.
Tratamentos de AromaterapiaÉ também praticada por médicos, enfermeiros e outros profissionais da área da saúde para o tratamento de disfunções orgânicas. Tornou-se um recurso natural muito utilizado na área da cosmética, estética facial, corporal e higiene pessoal.
Usada no dia a dia, é uma forma agradável de manter a saúde e beleza do seu corpo, proporcionando bem estar pessoal e profissional. Transforma os pequenos rituais diários de cuidados com o corpo em momentos de prazer e relaxamento, colocando todo o encanto da Natureza em sua companhia.

Os Óleos Essenciais e suas Características

Segundo a entidade de padrão internacional (ISO), óleo essencial é um produto obtido através da hidrodestilação ou da destilação a vapor, ou processamento mecânico de cascas de cítricos ou destilação a seco de materiais naturais, que são as plantas aromáticas.
São compostos considerados puros e, também, podem ser extraídos através da enfloragem (método mais belo de extração dos óleos essenciais de flores ou plantas aromáticas, que capta e eterniza a alma das flores). Podem ser extraídos de galhos, folhas, flores, raízes, troncos e resinas. Depois da destilação, o óleo essencial é fisicamente separado da fase aquosa. Os óleos essenciais são compostos lipossolúveis, ou seja, que se dissolvem em gorduras.
Apresentam algumas características como:
  • Concentração 100% natural;
  • Consistência oleosa e líquida;
  • São altamente voláteis;
  • Têm poder curativo.
E as suas propriedades terapêuticas são definidas de acordo com as partes das plantas, sendo que podem ser estimulantes, relaxantes ou equilibrantes. Os óleos essenciais altamente voláteis estimulam a mente; os de baixa volatilidade são mais calmantes e os de média volatilidade favorecem os efeitos balanceadores no organismo.
Algumas das atuações dos óleos essenciais após a sua liberação:
  • São meios de comunicação entre as plantas;
  • Protegem as plantas de parasitas, insetos herbívoros e outras ameaças;
  • Atuam como reguladores e catalisadores de metabolismo;
  • Atraem polinizadores;
  • Protegem as plantas de mudanças climáticas, auxiliando-a a sobreviver sob diferentes condições.
  • Os óleos essenciais têm o objetivo de promover a saúde e o bem estar, tanto físico, como emocional e espiritual do indivíduo.
O fato é que, mesmo depois de tantas pesquisas e estudos, ainda não se conhece mais do que 1% de todos os óleos essenciais. Como, também, pouco sabemos de suas propriedades terapêuticas e dos inexplorados outros benefícios dos mesmos.
Cerca de 10% das 250 a 300 mil espécies catalogadas produzem óleos essenciais. E destas, houve extração do óleo essencial de apenas cerca de 3 mil espécies. E, ao que se tem notícia, estão disponíveis no mercado mundial somente cerca de 300 espécies, para a perfumaria, os cosméticos e a Aromaterapia.

Utilização e Benefícios dos Óleos Essenciais

A Aromaterapia e os óleos essenciais podem ser usados de diversas formas, a fim de aproveitar seus benefícios, não só pela inalação, como o nome sugere. De acordo com o objetivo terapêutico e a necessidade do indivíduo é que determina-se como usar o óleo essencial.
Há algumas maneiras mais utilizadas, que são:

1. Uso Tópico

Aplicação direta na pele ou no local a ser tratado. Porém, por serem extremamente concentrados, quando usados sem serem diluídos podem causar sensibilização na pele. É recomendado que sejam diluídos em bases carreadoras como óleo vegetal de côco, de amêndoas doces, de avelã, de jojoba, de rosa mosqueta dentre outros. Podem ser utilizados com aplicação direta, massagem (de forma diluída), como cosméticos (diluídos, para todos os tipos de pele, uma vez que não são oleosos), banhos, e compressas.

2. Inalação

Trata-se da absorção dos óleos essenciais através da difusão atmosférica. O tratamento é norteado pelo sistema olfativo e é muito eficaz por afetar a memória, os hormônios e as emoções. Excelente para tratar rinite, asma, bronquite, sinusite, laringite e pneumonia. A inalação pode ser por difusão (utilização de um difusor no ambiente), direta (do próprio frasco), por vapor quente ou por uso de outros elementos como tecido, algodão etc.

3. Uso Interno

É o processo de ingestão do óleo essencial. Porém, nem todo óleo essencial pode ser usado dessa maneira, somente os óleos 100% puros, naturais e completos. E, nem sempre, a pessoa consegue saber a qualidade real do produto que está comprando. Cuidado com os óleos dermocáusticos, que são o tomilho, o orégano e a canela. Exemplos de formas de utilização: sublingual, juntamente com mel, água, suco, chás etc, em cápsulas, na culinária (adicionar em molhos, saladas etc) e supositórios.
O Brasil possui a maior biodiversidade do mundo e é referência em óleos essenciais, apesar de ainda existir muito a ser descoberto. Muito pouco foi explorado das espécies existentes capazes de fornecer excelentes óleos essenciais. É necessário que haja divulgação dos benefícios dos óleos essenciais, como também, o incentivo e apoio aos produtores locais, favorecendo as pesquisas, os cursos afins, a extração e o comércio dos óleos essenciais.
Não existe arte que ensine a ler no rosto as feições da alma. (William Shakespeare)
Apesar de aparecer na forma terrena, sua essência é pura consciência. Você é o destemido guardião da luz divina. (Rumi)